Relacionamentos abusivos: homens também sofrem
- Mauricio Lambiasi

- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
É por demais sabido que o Brasil guarda alguns destaques indesejáveis, tais como feminicídio, preconceito e violência para com as pessoas identificadas como LGBTQI+, contra etnias (negros, indígenas, entre outros).
Esse rol de preconceito e violência, felizmente vem sendo combatido cada vez mais. No caso da violência contra a mulher, fortes movimentos que começaram na década de 1960, a descoberta de contraceptivos alopáticos, dando maior liberdade a ela, o recente movimento #Mee Too, a luta incansável de Maria da Penha que, inclusive, deu nome a uma lei, são representativos de uma luta que ainda terá muitos capítulos até que a sociedade como um todo entenda que essas situações são absolutamente intoleráveis.
Este artigo, entretanto, tem por objetivo tratar de um tema pouco explorado, que é a violência psicológica contra os homens. Apesar de, seguramente, ser algo cuja frequência é muitíssimo menor do que aquela que mulheres, LGBTQI+ e diversas etnias sofrem, não deixa de ser algo a ser denunciado, a ser trabalhado para que se evite o surgimento de vítimas de ações que também são execráveis.
A violência psicológica contra os homens pode ocorrer com mães contra seus filhos, mulheres contra namorados, maridos, colegas de trabalho. Nesse caso, uma das características mais assustadoras é a da “perversa narcisista”.
A perversidade narcisista é estabelecida de várias formas e tem como características: egocentrismo (que é um conceito diferente de egoísmo; este pode ser benéfico em várias situações), maledicência (pessoa que vive falando mal de outros, de uma forma absolutamente cruel), necessidade de sempre odiar alguém, mesmo que não haja motivo algum, desqualificar o outro frequentemente, ataques de ira quando contrariada, desejar não apenas humilhar, mas, se possível, destruir o outro emocionalmente, buscar sempre o conflito, culpar sempre o outro, ser o “dono da razão” qualquer que seja a situação, absoluta falta de empatia, entender o outro como um objeto que está a disposição dela, entre outras características...
Pessoas assim, não necessariamente são psicopatas, mas estão no limite para tal. Não é algo fácil de diagnosticar, mesmo para profissionais experientes. Da mesma forma, a vítima (que prefiro chamar de sobrevivente) nem sempre compreende o que está acontecendo; podem se passar anos e anos até que a pessoa se dê conta da violência a que foi submetida.
Por que alguém se submete a isso? No caso de um relacionamento amoroso (namorado, marido) uma das causas mais comuns é o fato do sobrevivente ser uma pessoa de baixa autoestima, de pouca estrutura emocional, que enxerga no violador um “porto seguro”; é o processo de idealização do outro, entendendo que esse outro possui as qualidades ou fortalezas que ele não tem. Isso acaba se transformando em uma relação dependente-emocional, ou um amor patológico.
Como se livrar disso? Evidentemente, não é algo simples, a perversa narcisista jamais se reposicionará. É necessário compreender isso, buscar apoio de pessoas de confiança e, em muitos casos, de um profissional competente, psicólogo, psicanalista, psiquiatra. Muitas vezes levará anos para que o sobrevivente consiga se libertar internamente, começar a amar a si próprio e, finalmente, conquistar o bem-estar, pois o processo de destruição emocional é gigantesco.
Este é um primeiro artigo de outros que detalharão mais ainda esse processo de violência. Não se cale, procure ajuda!




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